Se você for fizer um drama sem sinos e apitos, é melhor você ter uma história fascinante na manga. O roteirista Ken Hixon pode ter criado um filme de uma família única e desequilibrada com personagens curiosamente perturbados, mas na tela, muito desse interesse é extinto pela falta de emoção, relacionamentos difíceis e, principalmente, pelo ritmo lento do filme.
Doug Riley (James Gandolfini) não é um cara feliz. Ele perdeu a única filha em um acidente de carro, sua esposa Lois (Melissa Leo) tem agorafobia [medo de estar em espaços abertos ou no meio de uma multidão] e seu único consolo real vem de um caso extraconjugal com uma garçonete de lanchonete. Enquanto está em New Orleans para uma conferência de trabalho, Doug simplesmente não consegue lidar com tudo isso. Ao invés de cumprir o cronograma, ele abandona a convenção e vai direto para um clube de strip local. É onde ele conheceMallory (Kristen Stewart), uma stripper, supostamente de 22 anos de idade, que ele acaba levando para casa e passar a noite com. Não, não é para qualquer negócio sujo, mas apenas para ser legal.
Na manhã seguinte, Doug acorda não com pressa de ir ao trabalho, mas para comprar as ferramentas necessárias para reformar a casa caindo aos pedaços de Mallory. Conforme os dias vão passando, os dois começam a ter uma relação pai-filha com a exceção de que Doug paga para a Mallory 100 dólares todo o dia que ele fica com ela. Então, novamente, o fato dele diminuir um dólar toda vez que ela usa a palavra “F*CK”, retorna com a analogia de pai e filha. Enquanto isso, em casa, Lois está desesperadamente tentando superar seus medos e dirigir até Nova Orleans para se reunir com o marido.
O diretor Jake Scott dá um gostinho do que esperar logo na primeira cena; uma tela sombria de um Doug vazio nos lugares de sempre, jogo de cartas com os caras, waffles no restaurante, a sós com a sua garçonete, Vivian (Eisa Davis), e, então, em casa com Lois. Mesmo quando está aconchegado com Vivian, existe uma triste falta de vida em Doug e mesmo quando ele se anima após conhecer Mallory, aquela atmosfera sombria ainda permanece.
Ao longo da estória, a nuvem carregada que segue Doug não importa aonde ele vá é bem efetiva e cria um quadro ainda mais realista. Esse é um cara que vem sofrendo pelos últimos oito anos pela perda da filha de 15 anos; só porque ele achou algo que sirva como substituto, não quer dizer que ele vá andar com um grande sorriso no rosto e Gandolfini faz um excelente trabalho mantendo as emoções de Doug sob controle. Ele não passa o filme se lamentando, mas também nunca parece particularmente feliz. Se você conseguir lidar com esse tom sombrio, a única questão com o seu desempenho é a sua relação com Kristen Stewart.
Eles seguramente não devem simplesmente entrar no papel de pai e filha, pois Mallory se rebela contra esse conceito e de certa forma Doug reconhece que isso não seria certo, mas eles são um pouco frios. É difícil de acreditar que eles, realmente, se importam um com o outro. Leo enfatiza essa questão quando ela compartilha apenas alguns minutos de cena com Stewart e há muito mais paixão do que se vê entre Gandolfini e Stewart na primeira hora do filme. Infelizmente, com excepção de alguns momentos particularmente memorável, Leo é amplamente desperdiçada em um papel essencialmente ausente.
Enquanto a Stewart, ela está ok. Ela faz o que é exigido dela, que não é muito mais que seus típicos personagens temperamentais, mas ainda há algo que não funciona muito bem. Tanto ela quanto Gandolfini apresentam um trabalho acima da média, mas eles simplesmente não combinam bem entre os dois, que faz com que o desempenho Gandolfini ofusque o de Stewart. O personagem de Gandolfini é tão sutil, e de Stewart é tão exagerado, falando todos os palavrões possíveis em toda frase, e pode até parecer que ela está tentando demais. A relação entre eles e o personagem de Stewart não parecem tão naturais quanto poderiam ser, mas a situação dele é interessante e inovadora o suficiente para te manter interessado em suas circunstâncias.
Porém, mesmo com essa curiosidade, as boas atuações e filmagens razoáveis, WTTR é a mesma chatice de sempre. Por mais que você queira prestar atenção e acompanhar o Doug em sua jornada, as coisas ficam muito lentas, é difícil impedir sua mente de viajar. Adicione isso ao fato de ser um filme deprimente e você terá um filme que é muito difícil de se apreciar.
Técnica: B
Atuação: B-
História: C+
Geral: B-
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